"Saudades do Arroz de feijão"
No passado dia 2 de março, levei a Mara comigo, ia falar de temas "difíceis", pensei eu.
E são, mas estes meninos são um exemplo de conduta, superação e aceitação pelo outro....
A Mara seguia de colo em colo enchendo-se de mimos, carinhos e abraços.
"Orelhas de Borboleta" de Luisa Aguilar mostra uma grande sensibilidade neste texto singelo e cheio de força literária, que transporta o leitor para um mundo de formas, cores, emoções e sentimentos. A figura materna destaca-se como referente vital da protagonista, que responde aos comentários das outras crianças seguindo as indicações da sua mãe: aquilo que para os outros é um defeito, para a Mara é uma vantagem de que os outros carecem.
Ter as orelhas grandes, o cabelo rebelde, ser alto ou baixo, magro ou rechonchudo... até a mais insignificante característica pode ser motivo de troça entre as crianças. Por isso é necessário um livro que demonstre a todos, tanto àqueles que fazem como àqueles que recebem algum comentário depreciativo, que esse tipo de comportamento é reprovável.
E especialmente para os que são apontados pelos outros, a mensagem que lhes transmite este conto é que convertam em positivo aquilo que para outros é motivo de gozo. Porque se devem valorizar as características que nos diferenciam dos outros para nos distinguirem como seres especiais e únicos. Porque reconhecer e inclusive reivindicar a diferença nos fortalece, aceitando-nos como somos e reforçando a nossa personalidade. Esse é o primeiro passo para aprendermos a rir-nos de nós próprios...
Seguiu-se o "Quatro cantinhos de nada" um livro sobre amizade, diferença e inclusão com uma proposta gráfica minimalista do autor Jérôme Ruillier.
As personagens desta história são figuras geométricas, a maioria círculos e apenas um quadrado. O grupo de amigos brinca alegremente, até que chega a hora de ir para a casa grande.
Neste momento surge um problema: o quadradito não consegue entrar porque a porta é redonda. Ele tenta entrar de várias maneiras, estica-se e torce-se, mas nada funciona.
Será que as figuras geométricas vão arranjar uma solução?
O livro “Quatro cantinhos de nada”, convida-nos a refletir sobre as mudanças que devem ser feitas para incluir todos os membros da sociedade.
As ilustrações de Jérôme Ruillier consistem em colagens muito simples com tecido e papéis coloridos recortados à mão. É com estas ilustrações abstratas que se explica um problema social complexo às crianças.
"Difícil" foi suportar a saudade que o livro seguinte lhes provocou. O livro "Rua das Flores, n.º 10", da autora Felicita sala sobre comunidade, partilha e comida. Esta história mostra como os vizinhos deste prédio, de muitas origens, partilham as suas tradições gastronómicas com os outros. Ao longo do livro vamos conhecendo os residentes do nº 10 e as receitas que estão a preparar.
"Cheira bem na Rua das Flores, nº 10. Cheira a festa!"
A medida que liamos, as receitas faziam crescer água na boca.
"Ai que saudades de arroz com feijão que a minha mãe fazia quando estávamos no Brasil"
"Adoro comer peixe num restaurante à beira mar...lá o peixe é muito bom".